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CULTURA

Gravado em Porto Seguro, filme retrata a luta e espiritualidade do povo Pataxó

Obra produzida com apoio da Lei Paulo Gustavo une ficção e documentário para retratar espiritualidade, cultura e luta territorial do povo Pataxó

Publicado em 17/09/2025 às 09:18
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O filme Naô Xohã (Espírito Guerreiro), produzido pelo NUPOMAR – Núcleo de Pesquisa, Mídias e Arte, com apoio da Lei Paulo Gustavo por meio da Secretaria de Cultura da Bahia (SECULT), marca um importante avanço na produção audiovisual indígena da região. A direção é assinada por Ramon Rafaello e a co-direção por Xohãhi Pataxó, que também protagoniza a obra. A produção conta ainda com a parceria da Xingu Filmes, primeira produtora audiovisual indígena do Brasil, sob coordenação do cineasta Takumã Kuikuro.

Mais do que uma produção cinematográfica, o filme representa um marco na valorização da cultura Pataxó e na construção de um cinema indígena regional, realizado por mãos e olhares indígenas. O projeto nasceu a partir de um processo formativo em produção audiovisual, realizado por meio de oficinas na Aldeia Barra Velha, com a participação de jovens comunicadores indígenas. Utilizando a metodologia da educomunicação, o processo formativo uniu prática e aprendizagem coletiva, promovendo a autonomia criativa dos participantes e incentivando a formação de novos cineastas Pataxó.

Naô Xohã mistura elementos documentais e ficcionais para abordar temas como espiritualidade, territorialidade e a luta do povo Pataxó pela demarcação de seus territórios ancestrais. A narrativa também reflete sobre os desafios enfrentados por lideranças e comunicadores indígenas em sua resistência cotidiana.

As filmagens ocorreram em diversas aldeias do município de Porto Seguro, incluindo Barra Velha, Pé do Monte, Xandó, Pará, Pataxí, Jaqueira e Coroa Vermelha. Cenas internacionais também compõem a obra, com gravações realizadas na Alemanha e na França, conectando o contexto local ao cenário global. Durante as gravações, uma comitiva de comunicadores e pesquisadores Pataxó visitou o Linden Museum, em Stuttgart, onde estão preservados artefatos ancestrais do povo Pataxó, fortalecendo a conexão entre memória, identidade e ancestralidade.

O filme reafirma que o cinema produzido no sul da Bahia é capaz de dialogar com o mundo sem perder suas raízes, construindo pontes por meio da arte, da palavra e da imagem. Naô Xohã surge como símbolo da resistência e da afirmação cultural do povo Pataxó, além de ser um passo decisivo para o fortalecimento do cinema indígena no Brasil.

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