Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) analisou a presença da doença de Chagas em comunidades indígenas brasileiras, incluindo aldeias localizadas em municípios da Bahia, entre eles Santa Cruz Cabrália. A pesquisa foi publicada em um periódico científico internacional e avaliou 2.941 indígenas de diferentes regiões do país para medir a soroprevalência da doença e compreender fatores sociais e ambientais relacionados à transmissão.
Do total de participantes, 2.070 eram do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Bahia, provenientes de aldeias localizadas nos municípios de Banzaê, Euclides da Cunha, Ilhéus/Buerarema e Santa Cruz Cabrália. Os resultados indicaram que, nessas comunidades baianas, o contato com o inseto barbeiro — transmissor da doença de Chagas — é significativamente mais frequente em comparação com outras regiões analisadas no estudo.
Em Santa Cruz Cabrália, o levantamento apontou o maior índice de histórico familiar da doença entre os participantes, com 3,5% relatando parentes infectados, principalmente avós e mães. A pesquisa também identificou que muitas dessas comunidades enfrentam condições socioeconômicas vulneráveis, com baixa renda e moradias que podem favorecer a presença do vetor.
Apesar do risco, o estudo revelou que 99,5% dos participantes nunca haviam realizado testes para detecção da doença de Chagas, evidenciando uma lacuna significativa no diagnóstico e no conhecimento sobre a enfermidade. Moradores de diversas comunidades baianas relataram contato com o inseto barbeiro, inclusive com registros da presença do vetor dentro das próprias residências.
Os pesquisadores alertam que populações indígenas são mais suscetíveis a doenças tropicais negligenciadas devido às condições sociais e ambientais. O estudo destaca a necessidade de políticas públicas mais eficazes, ampliação do diagnóstico, ações de prevenção e educação em saúde, além de novas pesquisas para fortalecer o controle da doença nessas comunidades.