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POLO ESTRATÉGICO

Bahia terá 1ª fábrica de vidro solar fora da China, graças à areia de Belmonte

Com pureza superior a 99,6%, sílica baiana atrai investimento de R$ 1,8 bilhão e transforma Belmonte em polo estratégico para energia solar

Publicado em 18/05/2025 às 10:01
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A Bahia vai abrigar a primeira fábrica de vidro solar do mundo fora da China. O empreendimento será instalado no município de Belmonte, no sul do estado, e contará com um investimento de R$ 1,8 bilhão da Homerun Brasil, subsidiária da mineradora canadense Homerun Resources.

A decisão de construir a planta industrial em Belmonte foi impulsionada pela descoberta de uma jazida de areia silicosa de altíssima pureza no distrito de Santa Maria Eterna. Estudos apontam que a areia da região possui teor superior a 99,6% de dióxido de silício (SiO₂), ideal para a produção de vidro solar de alta eficiência.

O projeto foi oficializado no dia 12 de maio, com a assinatura de um Memorando de Entendimentos (MoU) entre a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti), a Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás), a Prefeitura de Belmonte e a Homerun Brasil.

A fábrica será construída em um terreno de 60 hectares doado pela prefeitura e deve gerar cerca de 600 empregos diretos e 2.800 indiretos. A unidade fará parte da cadeia produtiva da indústria fotovoltaica, com potencial para transformar o estado em referência no setor de energia renovável.

Segundo o presidente da CBPM, Henrique Carballal, o projeto representa a verticalização da produção mineral no estado. “Estamos lidando com um ativo geológico de altíssimo valor agregado. A pureza da areia silicosa encontrada em Santa Maria Eterna é ideal para processos industriais sofisticados, como o vidro solar”, destacou.

O diretor-presidente da Homerun Brasil, Antonio Vitor, afirmou que a sílica baiana é única no mundo. “Com essa tecnologia, as placas solares produzidas com vidro da Bahia poderão gerar até o dobro da energia das atuais. É um salto estratégico para o Brasil no setor de energia limpa”, disse.

Além da fábrica de vidro, a Homerun Brasil também construirá uma unidade de beneficiamento da areia silicosa em Belmonte — um investimento adicional de R$ 100 milhões. A unidade, que inicialmente seria erguida em Ilhéus, foi transferida para o município por estar próxima à jazida. A planta deve gerar cerca de 180 empregos diretos.

A empresa ainda anunciou a implantação de um projeto-piloto inédito no Brasil de gestão de energia solar com inteligência artificial e armazenamento, ampliando sua atuação tecnológica na região.

Segundo o CEO da Homerun Resources, Brian Leeners, a areia silicosa de Belmonte abrirá portas para múltiplas aplicações industriais, não apenas na energia solar, mas também em eletrônicos, cerâmicas técnicas e fundição de precisão.

Com isso, Belmonte desponta como nova fronteira tecnológica e mineral do país, colocando a Bahia no mapa global da transição energética e da indústria de alta performance.

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